the long road

22:21


"se gosto da vida que levo? não é fácil. quando entrei em tal aventura nunca pensei que algumas fragilidades de mim poderiam vir ao de cima, como já vieram. não é fácil andar por aí, longe de tudo e de todos, principalmente daqueles que mais amo. ninguém sabe as noites que já chorei por sentir falta deles. nunca ninguém poderá imaginar o frio que já passei. anseio pelo momento em que vou chegar a casa, o momento em que vou abraçá-los, aquela altura em que me deito na minha cama quente. percorro longas estradas por tempo indeterminado, e mal saio de casa já levo comigo uma pontinha de saudade de tudo o que envolve o meu lar. por vezes culpabilizo-me por não ter acompanhado a minha família ao longo destes dez anos: perdi imensos momentos que não queria perder, e que tinha o dever de não ter faltado. a vida é traiçoeira, e eu cada vez mais tenho medo do que posso encontrar pelos caminhos que sigo. hoje estou aqui a escrever isto, amanhã... quem sabe. por pouco não arruinei a minha vida por vícios: infelizmente acho que é uma das únicas maneiras de me distrair do que agora me assombra a toda a hora. já passei por muita coisa longe de casa, e em cada momento houve sempre uma coisa em comum que me aperta(va) o coração: a saudade. a falta daquele carinho, a necessidade daquele abraço, o olhar ou o simples esboçar dum sorriso. estar em casa é tudo. não entendo, aquelas pessoas que querem sair de casa, ou se chateiam com a sua cara-metade e deitam tudo a perder numa noite... eu dava a minha vida inteira para estar sempre ao lado deles. amo-os mais que tudo. cada um com a sua mania, mas todos tão importantes para mim. estou a escrever porque não tenho ninguém com quem desabafar, e não me quero tornar um peso na vida de quem já sofre demais pela minha ausência. ainda tenho alguns quilómetros pela frente até acabar o dia. até lá"

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